Minas Gerais é o estado com mais registros de armas de fogo no país. Em 2021, o valor das armas que foram registradas pelos mineiros chegou a mais de R$ 52 milhões. Somente para o porte de arma, nos últimos dois anos, segundo a Polícia Federal, foram 2.249 pedidos e, destes, 466 foram deferidos.
O delegado Bruno Eduardo de Oliveira Lopes, chefe da Delegacia de Controle de Armas e Produtos Químicos da Polícia Federal ressalta que, em 2021, o registro de porte e posse de armas de fogo em Minas é bem superior a vários estados brasileiros. De acordo com ele, não existe uma explicação.
“Em 2021 já registramos 11.508 armas. São Paulo e o Espírito Santo, somados, registraram 11.498 armas. Rio de Janeiro registrou 4.539 armas. Não temos uma explicação, mas estamos identificando um crescimento anual. Em 2021, já estamos com um crescimento 70% maior do que no ano de 2020”, ressalta.
Ainda segundo o delegado, são vários os requisitos para a posse da arma de fogo, como a idoneidade, certidão negativa, e aptidão psicológica. Para o porte da arma, o cidadão tem que comprovar atividade de risco ou que está sendo ameaçado. Mesmo com o crescimento do cidadão se armando, o delegado não acredita que isso possa gerar mais violência.
O presidente da Associação Brasileira de Atiradores Civis, Arnaldo Adasz, diz que é preferível a arma estar nas mãos do cidadão de bem, do que com criminosos. Ele concorda com o delegado da Polícia Federal e não vê relação da população armada com o aumento da violência.
“Sou a favor que as pessoas tenham posse e porte de arma desde que cumpram os requisitos da lei. A arma na mão do criminoso é ruim para a sociedade. A arma na mão do cidadão de bem, que está preparado para isso, faz bem para a sociedade. Não considero a relação entre armas de fogo e a violência, isso é uma falácia inventada que nunca foi comprovada por números ou estatísticas em nenhum país do mundo, nem no Brasil”, afirma.
Já a pesquisadora do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG (CRISP/UFMG), Valéria Oliveira, diz que os números são preocupantes e culpa a política de flexibilização das armas do governo federal.
“O que vem acontecendo em Minas não é um caso isolado, é resultado da política de flexibilização do acesso a armas de fogo que vem acontecendo no Brasil a partir de uma série de decretos que o governo federal emite desde os seus primeiros meses de governo, em 2019”, diz.
Segundo Valéria, não existem estudos que comprovem que a população armada estaria mais segura e que é, justamente, o contrário. “Esse processo é extremamente preocupante porque é entendido como um desafio reduzir os indicadores de criminalidade armando mais a população. Não existem trabalhos que confirmem essa associação e, muito pelo contrário, o que se tem é um aumento do número de armas nas mãos daqueles que também cometem crimes”, afirma.
“Então, essa expectativa de que o cidadão comum consegue se proteger a partir do momento em que porta uma arma de fogo é absolutamente e ilusória, não é real e pode representar um risco maior para essa população”, finaliza.

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