O gás de cozinha (GLP), que acumula alta média de preços de 17% neste ano, se tornou um dos maiores vilões no orçamento de comerciantes de alimentos prontos. Para eles, o desafio é conseguir não reajustar o que cobram. Empresários do setor afirmam diminuir as margens de lucro, negociam com fornecedores e ficam de olho na concorrência para não perder a freguesia.
Segundo o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte e Região Metropolitana (Sindbares), o custo do gás de cozinha na cadeia de produção dos empreendimentos que vendem alimentação chega, em média, a 25%. E a elevação dos preços faz o setor ficar mais pressionado entre a necessidade de repassar custos ao consumidor e o medo de perder clientes para a concorrência.
Responsável pelas compras em uma rede de pastelarias na capital, Frederico Assis conta que a empresa optou por reduzir a margem de lucro em quase 15% no último semestre, para garantir a manutenção do preço do pastel. “Estamos num ramo em que a concorrência é brutal e qualquer aumento pode significar a perda significativa de clientes. Como vendemos em grandes quantidades, é possível diminuir o lucro, para garantir o preço. Está cada vez mais difícil manter os preços, mas não há outra alternativa”, explica.
Negociar
No entanto, nem todos os empresários do setor têm margem para mexer nos lucros alcançados com a venda dos alimentos. Com as contas no aperto, estão negociando com os fornecedores, para conseguir manter os preços e continuar vivos na concorrência.
Esta foi a saída encontrada pela empresária Ione da Silva, dona de um restaurante no Santa Efigênia. Para reduzir o gasto com o GLP, ela fechou um acordo com o fornecedor em que prevê a compra de três botijões de 45 kg semanais.
Com isso, consegue pagar pelo botijão R$ 328, 5% mais barato do que o preço mais baixo encontrado para o produto em BH, de R$ 345, segundo a pesquisa semanal do site Mercado Mineiro.
Viabilidade
Só que a opção encontrada por ela nem sempre é viável para outros empresários do setor, em especial, para os menores. A solução, para muitos deles, está em pesquisar os preços do GLP e comprar de quem estiver vendendo mais barato no dia.
“Infelizmente, estamos vivendo um momento em que é preciso um esforço ainda maior para manter preços. A maioria dos estabelecimentos são pequenos e não têm margem para negociação. A única saída é pesquisar, e muito, para frear a elevação dos custos”, afirma Paulo César Pedrosa, presidente do Sindbares.

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