
Pouco mais da metade dos homens brasileiros e 16 a 26 anos estão propensos a entrar na carreira militar, em grande parte impulsionados pela falta de oportunidades no mercado de trabalho para os jovens brasileiros, concluiu uma pesquisa inédita sobre o tema publicada pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com universidades brasileiras. Considerando também as mulheres, cerca de quatro em cada dez (43,9%) jovens com essa idade cogitam se tornar militares, seja na Aeronáutica, no Exército, na Marinha ou nas polícias estaduais.
À margem da vocação e do verdadeiro desejo de ingressar nessa carreira, um dos principais impulsionadores da escolha é, hoje, o desejo por melhores condições econômicas, de acordo com os autores da pesquisa. “A propensão está muito ligada ao perfil socioeconômico. Filhos de pais com escolaridade mais baixa têm mais propensão a entrar na carreira militar do que aqueles que vêm de família com ensino superior”, pontua a pesquisadora Andreza Aruska de Souza Santos, professora da Universidade de Oxford.
Na pesquisa, 67,3% dos jovens declaram que a oferta de emprego em suas cidades era baixa, muito baixa ou nenhuma — no Nordeste, o percentual chegou a 75,9%. O dado reforça, diz Santos, que os jovens podem estar se tornando mais pragmáticos ao escolher uma carreira. “Na pandemia, a questão do empreendedorismo, de ser seu próprio patrão, teve fortes abalos, porque às vezes a pessoa não consegue ter saída do seu produto ou serviço e não tem uma licença remunerada, um plano de saúde, então a necessidade do emprego fixo, seguro, se tornou real e muito mais importante para o jovem”, avalia a pesquisadora.
“Não é que a vocação para a universidade ou para outra carreira termine. Alguns desses jovens nas carreiras militares as veem como um momento de juntar dinheiro para depois talvez fazer um curso universitário”, continua. O estudo atual abre portas, defende ela, para mais pesquisas sobre como a pandemia e a crise econômica afetarão a escolha de carreira dos jovens no longo prazo.
Hoje, os jovens de 18 a 24 anos são a faixa etária mais atingida pela desocupação, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao mesmo tempo, as inscrições no último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), uma das principais portas para o ensino superior, foram as mais baixas desde 2005.
Quase metade dos jovens, 47,5% dos entrevistados, afirmaram ter uma percepção positiva ou muito positiva dos militares, contra 16,2% com uma visão negativa. Ela destaca que o momento atual é uma vitrine para as carreiras militares: durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), o investimento nas Forças Armadas aumentou e, em 2021, cerca de 6.000 militares ocupavam cargos comissionados no governo federal.
A propensão dos homens jovens brasileiros para entrar nas Forças Armadas, de 50,5%, é mais que o triplo da propensão dos jovens dos EUA, de 14%. Uma das hipóteses que pode explicar o fenômeno, que ainda demanda mais estudos, é a menor participação do Brasil em conflitos externos, enquanto os norte-americanos têm um fluxo maior de tropas no exterior.
Outros estudos também devem comparar a propensão dos brasileiros à de outros povos latino-americanos marcados por crises econômicas. “São países com um histórico semelhante ao do Brasil, em muitos casos, mas com um pós-ditaduras diferente”, pontua a professora Andreza Aruska de Souza Santos. No Brasil, só em 2021 um agente da ditadura brasileira foi condenado penalmente pela primeira vez, quase quatro décadas após o encerramento da ditadura militar.
A pesquisa foi realizada por meio de um questionário online com 2.055 entrevistados, de outubro a novembro de 2021. Ela foi publicada neste mês pelo Programa de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford. O estudo completo está disponível, em inglês, no site da instituição.

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