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Falhas na proteção legal fazem mulheres recorrerem a coletivos e à defesa pessoal em busca de apoio

De coletivos em favelas a aulas de MMA em BH, ações buscam fortalecer mulheres no enfrentamento à violência

10/03/2026 às 08h48 Atualizada em 10/03/2026 às 08h56
Por: Redação
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Imagem: ilustrativa
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No caminho de volta do trabalho, a caminho da igreja, no transporte público ou por aplicativo, durante o almoço ou à noite, na rua ou até dentro de casa. Em diversas situações do cotidiano, o medo ainda faz parte da realidade de muitas mulheres. Em 2025, um estupro foi registrado a cada seis minutos no Brasil, segundo dados do governo federal. Diante desse cenário de insegurança, muitas mulheres têm buscado formas próprias de se proteger no dia a dia.

Em Belo Horizonte, o atleta e professor de MMA Pablo Felipe oferece aulas gratuitas de defesa pessoal para mulheres. Segundo ele, as técnicas ensinadas podem ajudar em situações de agressão.

“Costumo ensinar técnicas em pé. Elas aprendem a dar socos, joelhadas e cotoveladas, além de derrubar o agressor. Também aprendem a se defender de quedas e, caso acabem no chão, conseguem aplicar uma chave de braço ou até estrangular o agressor usando a própria camisa dele. O MMA é ideal para isso, porque mesmo no chão a pessoa consegue continuar se defendendo”, explica.

De acordo com o professor, algumas alunas já precisaram usar o que aprenderam nas aulas. “Tenho apenas dois meses de projeto e já tive duas alunas agredidas nesse período. Elas disseram que as técnicas ajudaram a evitar que algo pior acontecesse”, relata.

Medidas protetivas e desafios

Quando se trata de violência doméstica, nem sempre a lei consegue garantir proteção. No ano passado, mais de 100 mil medidas protetivas de urgência foram descumpridas no país. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em Minas Gerais cerca de 16% das mulheres vítimas de feminicídio possuíam medida protetiva.

No Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, mulheres também têm se organizado para enfrentar a violência por meio da coletiva Mulheres de Quebrada, que acolhe moradoras da comunidade que muitas vezes precisam deixar tudo para sobreviver.

A publicitária Lorenza de Pinho, de 41 anos, é um exemplo de vítima que não conseguiu escapar. Ela foi morta em 2021 por intoxicação e asfixia. O marido, o promotor André Pinho, foi condenado a 22 anos de prisão por feminicídio.

O pai de Lorenza, Marco Aurélio Silva, afirma que, mesmo com a condenação, a dor permanece. “Dia 2 de abril faz cinco anos que minha filha se foi. Para mim parece que foram cinco dias. Cada um tem seu tempo de luta, e o meu está muito longe de terminar. Eu continuo muito deprimido e sinto uma dor que não sei explicar em palavras”, relata.

Ele também demonstra preocupação com o aumento dos casos no país. “Já imaginaram como um promotor de Justiça tem coragem de matar a esposa, mãe de cinco filhos? Cinco anos depois eu continuo me assustando com o número de feminicídios no Brasil. Só aumenta”, lamenta.

Onde buscar ajuda

Mulheres que estejam enfrentando situações de violência, ou que conheçam alguém nessa condição, podem procurar apoio pelo telefone 180, canal nacional de atendimento e orientação.

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