
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou, nesta segunda-feira (13), a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que proibiu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na avaliação do parlamentar, a medida representa uma forma de "propaganda" para a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto e reforça a percepção de parcialidade por parte do ministro.
A decisão foi tomada após Flávio Bolsonaro divulgar uma carta escrita pelo ex-presidente, na qual Jair Bolsonaro o apresentava como porta-voz na disputa eleitoral deste ano.
Em um vídeo de quase dez minutos publicado nas redes sociais, Nikolas afirmou que a condução do caso por Alexandre de Moraes demonstra falta de imparcialidade.
"O tratamento que eles estão dando agora com relação à prisão do Bolsonaro é o tratamento que a esquerda dá com qualquer tipo de opositor político deles, perseguição implacável", declarou.
O deputado também voltou a criticar a atuação de Moraes durante as eleições de 2022, período em que o ministro presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
"Nas eleições de 2022, ficou muito claro para todo mundo que o processo eleitoral foi totalmente viciado por esse cara", afirmou.
Com a decisão, a defesa de Jair Bolsonaro recebeu prazo de 48 horas para prestar esclarecimentos ao STF sobre um suposto descumprimento da medida cautelar que impede o ex-presidente de utilizar as redes sociais, de forma direta ou por intermédio de terceiros.
Na decisão, Alexandre de Moraes argumentou que a manifestação de Flávio Bolsonaro antes da leitura da carta — ao afirmar que faria um "recado muito importante" do pai para "toda a nossa nação" — indica que o ex-presidente tinha conhecimento prévio de que o conteúdo seria divulgado nas redes sociais.
Durante o vídeo, Nikolas Ferreira ironizou a decisão e afirmou que ela acaba fortalecendo a pré-campanha de Flávio Bolsonaro.
"No fim das contas, sabe quem está fazendo propaganda antecipada eleitoral pro Flávio? O Alexandre Moraes. Porque só está provando o nosso ponto de que aqui no Brasil, realmente, não existe mais democracia. É um bando de gente que quer dominar até em quem você deve votar ou não", disse.
O pré-candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos, também criticou a decisão de Moraes e afirmou que o ministro estaria atuando como um "cabo eleitoral" de Flávio Bolsonaro.
"O Alexandre de Moraes, na bizarrice dele, se tornou uma espécie de cabo eleitoral do Flávio Bolsonaro. [...] Às vezes eu acho que o Alexandre de Moraes é o marqueteiro do Flávio, porque tudo que o Alexandre de Moraes quer e precisa é de um Bolsonaro para brigar", declarou em vídeo enviado à CNN Brasil.
A reportagem procurou o Supremo Tribunal Federal para comentar as declarações. Até a publicação desta matéria, não havia manifestação oficial. O espaço permanece aberto para posicionamento.
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