
“A probabilidade no aumento de feminicídio é grande”. O decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) que regulamenta o registro, a posse e a comercialização de armas de fogo nessa terça-feira (15) é analisado por Luiz Flávio Sapori, especialista em Segurança Pública e ex-secretário adjunto de Segurança Pública do Estado de Minas Gerais, como um fator que pode elevar o número de crimes contra as mulheres.
Em entrevista ao BHAZ, Sapori disse que o fato da população brasileira ter “baixo grau de contenção dos impulsos agressivos” possibilita que crimes passionais possam ocorrer com mais frequência, gerando assim aumento nos índices de violência doméstica. “De imediato [com a assinatura do decreto] vai ampliar e muito o número de armas de fogo pela população. Estudos comprovam que quanto maior o número de armas de fogo, mais homicídios são registrados no Brasil”, conta.
O Anuário de Segurança Pública de 2018 aponta que Minas, pelo segundo ano seguido, é o Estado com maior número de vítimas por feminicídio: 145 casos dos 1.133 registrados no país. “A probabilidade de aumento de feminicídio é grande, visto que certamente os homens vão requerer mais armas. Conflitos passionais criam a oportunidade para mais assassinatos de mulheres. Devemos ficar atentos com essa possibilidade”, alerta o especialista que também é professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).
Para Luiz Flávio Sapori, o armamento da população não é sinônimo de menos violência e, sim, o contrário. O especialista apresenta dados comparativos entre o Brasil e o Canadá, país onde a posse de arma já é autorizada: “A cada 100 mil habitantes no Brasil, temos 30 homicídios, enquanto no Canadá somente um”, disse.
O decreto assinado por Bolsonaro não diz respeito ao porte de arma, mas o fato do presidente se mostrar favorável à população andar armada preocupada, Sapori. “Se a legalização do porte acontecer, será a tragédia completa. Pessoas armadas, tanto em ambiente público ou privado, certamente pode gerar mais conflitos e consequentemente mais mortes”, conclui.
O presidente Jair Bolsonaro; o ministro da Defesa, Fernando Azevedo; e o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, durante cerimônia de assinatura do decreto que flexibiliza a posse de armas (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Da Agência Brasil / Bhaz

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