
Representantes de caminhoneiros de várias regiões do país deixaram para esta quinta-feira (19) a decisão sobre uma possível greve nacional da categoria. A definição deve ocorrer durante uma assembleia geral marcada para as 16h, na sede do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), em Santos (SP).
A possibilidade de paralisação ganhou força no início da semana. Na segunda-feira (16), representantes do Sindicam, da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e de outros sindicatos e cooperativas aprovaram a proposta de iniciar um movimento grevista. A ideia inicial era ampliar o apoio de outras entidades em reunião realizada na tarde de quarta-feira (18).
Pouco antes desse encontro, no entanto, o governo federal anunciou medidas voltadas ao setor. O ministro dos Transportes, Renan Filho, e o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, divulgaram ações para reforçar a fiscalização e endurecer punições a empresas que descumprem o piso mínimo do frete rodoviário.
Mesmo com o anúncio, a reunião entre as entidades terminou sem consenso sobre os próximos passos. Um dos principais pontos de insatisfação da categoria é justamente o descumprimento do valor mínimo do frete. Segundo lideranças, essa prática faz com que o caminhoneiro autônomo absorva sozinho os impactos da alta do combustível.
O preço do diesel também intensificou a pressão. Na semana passada, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) enviou um ofício à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) solicitando fiscalização sobre possíveis práticas abusivas no mercado. A entidade apontou aumentos no valor do combustível mesmo sem reajuste oficial da Petrobras, o que levanta suspeitas sobre distribuição e revenda.
Na terça-feira (17), a CNTTL chegou a anunciar apoio à greve, mas depois recuou e informou que aguardaria o desfecho das reuniões para definir seu posicionamento. Já federações estaduais afirmam que a recente alta dos combustíveis agravou uma situação que já era delicada, principalmente para os autônomos.
Em Santa Catarina, algumas entidades já confirmaram adesão ao movimento. Entre elas estão o Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas e Contêineres em Geral de Navegantes e Região (Sinditac), que pretende iniciar a paralisação nesta quinta-feira, e a Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC), de Itajaí, que anunciou uma mobilização nacional a partir do meio-dia.
Em nota, a ANTC afirmou que a situação se tornou insustentável, citando o alto custo do diesel, a defasagem dos fretes e a falta de valorização da categoria. A orientação é que os caminhoneiros deixem de carregar seus veículos como forma de protesto.
A recente alta do diesel acompanha a valorização do barril de petróleo após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, no fim de fevereiro, e o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global da commodity. Na comparação entre a última semana de fevereiro e a primeira de março, o diesel S-10 teve alta de 7,72%, enquanto o diesel comum subiu 6,10%, com aumentos ainda maiores em alguns estados.
O risco de uma nova greve nacional reacende a memória de 2018, quando a paralisação dos caminhoneiros durou dez dias e causou impactos significativos no país, como desabastecimento de combustíveis e alimentos, redução da produção industrial, cancelamento de voos e prejuízos ao agronegócio. Na ocasião, o movimento foi motivado principalmente pelo aumento do diesel e pela política de preços da Petrobras.
Para encerrar a crise naquele período, o governo do então presidente Michel Temer adotou medidas como subsídios ao diesel, alterações na política de preços e a criação da tabela mínima de frete.
Agora, diante do risco de um novo movimento, o governo federal tenta evitar que o cenário se repita, especialmente em ano eleitoral. Entre as ações anunciadas está o reforço na fiscalização eletrônica do cumprimento da tabela do frete, com o objetivo de impedir que multas continuem sendo tratadas como custo operacional pelas empresas.
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também anunciaram medidas para conter a pressão sobre o diesel, como a isenção de PIS e Cofins e a criação de subsídios para produtores e importadores, na tentativa de segurar novos aumentos.
Além disso, a ANTT atualizou, na segunda-feira (16), os valores do piso mínimo do frete rodoviário, com reajustes médios que variam conforme o tipo de carga e operação.
Na terça-feira, a Polícia Federal também abriu um inquérito para investigar possíveis aumentos abusivos no preço dos combustíveis em diversas regiões do país. Segundo integrantes do governo, há indícios de práticas especulativas diante do cenário internacional.
Com esse contexto de pressão sobre os custos, insatisfação com o frete e articulação entre entidades, a assembleia desta quinta-feira será decisiva para definir se o movimento avançará para uma paralisação nacional ou permanecerá apenas no campo das mobilizações.
POLÊMICA Ratinho passa a ser investigado após declarações sobre Erika Hilton e mulheres trans
Polícia federal PF prende o banqueiro Daniel Vorcaro em nova etapa da operação que investiga o Banco Master
Solidariedade Confira os pontos de doação em Sete Lagoas para auxiliar vítimas em Juiz de Fora, Ubá e outras cidades Mín. 18° Máx. 22°


