
O número de casos prováveis de dengue registrados neste início de ano coloca Minas Gerais em alerta. Já são 17.860 casos prováveis (soma dos casos em investigação e daqueles confirmados) até o último dia 11. Isso representa uma média de mais de 420 registros por dia.
O número de janeiro (16.362) é quase oito vezes maior do que o assinalado no mesmo mês de 2018 (2.047) e o terceiro pior desde 2010 (14.470 ). Segundo o boletim mais recente divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG), quatro mortes estão em investigação por suspeita de dengue em 2019. No ano passado, foram confirmadas nove mortes.
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas (entre 6 de janeiro e 2 de fevereiro), 27 municípios apresentaram incidência muito alta de casos prováveis de dengue – 500 casos ou mais por 100 mil habitantes. Outros dez apresentaram incidência alta (300 a 499 casos por 100 mil habitantes) e 41 municípios tiveram média incidência (100 a 299 casos por 100 mil habitantes).
O resultado do Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa) realizado no mês de outubro também não é animador. Dos 831 municípios mineiros (de 853) que enviaram informações, 60 (7,22%) se encontram em situação de risco para ocorrência de surto e 293 (35,25%) estão em situação de alerta. O LIRAa de até 0,9% indica condições satisfatórias; entre 1% e 3,9%, situação de alerta; e superior a 4%, risco de surto.
A coordenadora do Projeto Estadual de Combate às Doenças Transmitidas pelo Aedes da SES-MG, a bióloga epidemiologista Márcia Ooteman, explica que o período sazonal da dengue ocorre entre o fim do ano e o mês de março, quando as temperaturas aumentam e as chuvas ocorrem com maior frequência.
Márcia ressalta que os anos de 2017 e 2018 não foram epidêmicos. No entanto, os números de janeiro deste ano estão acima do registrado no mesmo mês em 2010 – que foi o terceiro pior ano, com mais de 200 mil casos prováveis de dengue (atrás de 2015, em primeiro, e 2013, em segundo).
A coordenadora lembra a importância da prevenção, evitando o acúmulo de água parada nas residências e lotes vagos. Segundo ela, a SES-MG tem enviado equipes de médicos e agentes de saúde às cidades em situação de alerta para treinar profissionais locais quanto à prevenção e ao diagnóstico da dengue.
Zika vírus
Segundo a SES-MG, 31 municípios mineiros registraram 92 casos prováveis de zika vírus em 2019. Desses, 26 ocorreram em gestantes, em 13 cidades, e não tiveram confirmação laboratorial até o momento, ainda de acordo com a secretaria.
Uma pesquisa do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) abre caminhos para o controle da transmissão de vírus pelo Aedes aegypti. O estudo, coordenado pelo biólogo João Trindade Marques, professor adjunto do Departamento de Bioquímica e Imunologia do ICB/UFMG e doutor em microbiologia, identificou, pela primeira vez, no Aedes, um gene envolvido no controle do crescimento dos vírus da dengue e do zika vírus. O gene Loqs2, mostra o estudo publicado recentemente na revista científica “Nature Microbiology”, protege o mosquito contra os efeitos maléficos dos arborívus.
“Basicamente, o trabalho mostra uma maneira como a competência vetorial dos mosquitos Aedes poderia ser manipulada por interferência com a função do gene Loqs2”, explica Marques. A partir daí, poderiam ser desenvolvidas drogas que ativam ou inibem o gene Loqs2 ou ser liberados mosquitos geneticamente modificados para controlar a atividade do gene Loqs2 – opção, segundo ele, mais controversa.
Flash
Alerta. O biólogo João Trindade Marques, professor da UFMG, ressalta a importância de investimentos nesse tipo de estudo. “Sabemos que o número de casos dessas doenças naturalmente tem grandes flutuações, que podem muitas vezes induzir a interpretação de controle”, diz. “Entretanto, a história nos mostra que essas doenças podem retornar com força total a qualquer momento”.
Por Carla Chein - OTempo

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