
Depois de epidemias de febre amarela e de dengue, agora é o sarampo que deixa o Brasil em alerta. São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro enfrentam surtos ativos da doença, conforme reconhece o Ministério da Saúde, e têm 907 casos confirmados entre 5 de maio e 3 de agosto. Em abril, o Brasil perdeu o certificado de país livre do sarampo obtido em 2016.
Na última segunda-feira, o ministério deu o primeiro passo para decretar emergência em saúde pública por sarampo. Diante da notificação de casos em oito Estados – incluindo Minas Gerais –, a pasta colocou em operação um comitê para fazer um acompanhamento diário da doença no país.
Anteontem, o ministério emitiu alerta para que pais e responsáveis que pretendem viajar para as 39 cidades com surto em São Paulo, Pará ou Rio vacinem seus bebês de seis meses a 1 ano. As crianças devem ser imunizadas com a vacina tríplice viral (ou triviral) contra sarampo pelo menos 15 dias antes da viagem.
Em Minas Gerais, há quatro casos confirmados de sarampo, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG). Segundo estimativas do órgão, 5,5 milhões de mineiros de 1 a 29 anos estão sem as duas doses da vacina necessárias para proteção.
Imunização
A vacina está disponível na rede pública para pessoas de até 49 anos. Os estoques, no entanto, estão limitados, segundo o Ministério da Saúde, que já pesquisa o mercado internacional para importar o imunizante. Diante da explosão de casos em São Paulo e com receio de que o quadro se replique pelo país, a pasta procura alternativas para eventual aumento da demanda.
Em Minas, a SES-MG informou que “a distribuição das doses para as Unidades Regionais de Saúde e posterior repasse aos municípios segue normalmente”.
Em Belo Horizonte, a Secretaria Municipal de Saúde também diz estar com o estoque regular. “As doses fazem parte da rotina de imunização dos Centros de Saúde e estão disponíveis o ano inteiro, inclusive para adultos, de segunda a sexta, das 9h às 17h”, informa em nota.
Rede particular
Em Belo Horizonte, a procura pela vacina na rede particular teve um leve aumento nos últimos dias. A reportagem ligou para quatro clínicas e dois laboratórios na capital mineira.
Na Climep, a enfermeira-chefe, Poliana Santos, disse que a demanda aumentou desde a semana passada e que o estoque está no fim. Funcionários dizem que moradores até de outros Estados estão se imunizando na clínica. Segundo Poliana, a MSD, que fabrica o imunizante vendido na Climep, não tem prazo para normalizar a entrega.
No Laboratório Lustosa, houve 10% de aumento na demanda nesta semana. O estoque é limitado, segundo a assessoria de comunicação do Lustosa, mas há possibilidade de aquisição sem dificuldade. Os preços da dose da triviral em Belo Horizonte variam entre R$ 50 e R$ 120.
Fake news
Uma imagem recomendando que “adultos com menos de 50 anos precisam atualizar a vacina contra o sarampo” está circulando no WhatsApp. Conforme a imagem, uma campanha estaria sendo realizada neste mês com foco nos adultos.
O Ministério da Saúde alertou, no entanto, que a imagem se refere a uma campanha realizada em 2018. “Não existe, no momento, uma campanha nacional de reforço da vacinação contra o sarampo no Brasil”, diz a pasta.
Segundo o governo, a vacinação contra o sarampo deve seguir o Calendário Nacional de Vacinação. Quem já foi vacinado, de acordo com a sua faixa etária, não precisa receber a vacina novamente. “Confira sua caderneta de vacinação. Em caso de dúvida, procure uma unidade de saúde e informe-se”, orienta.

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