
A Backer teria sido vítima da empresa que a forneceu a substância química monoetilenoglicol. A informação foi apurada na tarde desta quinta-feira pelo jornalista da Itatiaia Eduardo Costa. A Polícia Civil está no galpão da fornecedora, no bairro Vila Paris, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Um ex-funcionário da fornecedora detalhou a situação à polícia. Ele trabalhou por dez meses na empresa e tem provas de que o monoetilenoglicol era misturado ao dietilenoglicol, mais barato.
Os consumidores que estão com cervejas da Backer devem levá-las à Vigilância Sanitária, que tem recebido a bebida desde segunda-feira (11). A pasta informou que, até terça (12), foram recolhidas 568 garrafas. Podem ser levadas apenas cervejas compradas para consumo próprio, não sendo aceitos de bares, restaurantes e supermercados. A entrega deve ser feita de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
Locais onde as garrafas são recolhidas:
Barreiro: av. Olinto Meireles, 327 – Barreiro
Centro-Sul: av. Augusto de Lima, 30 - 14ª andar – Centro
Leste: rua Salinas, 1.447 – Santa Tereza
Nordeste: rua Queluzita, 45 – Bairro São Paulo
Noroeste: rua Peçanha, 144, 5º andar – Carlos Prates
Norte: rua Pastor Murilo Cassete, 85 – São Bernardo
Oeste: av. Silva Lobo, 1.280, 5º andar – Nova Granada
Pampulha: av. Antônio Carlos, 7.596 – São Luiz
Venda Nova: av. Vilarinho, 1.300 – 2º Piso – Parque São Pedro
Casos
Milton Pires, de 89 anos, morreu na madrugada desta quinta-feira com suspeita de síndrome nefroneural, que teria sido provocada pelo dietilenoglicol na Belorizontina. Ele estava internado no Hospital Mater Dei, na Zona Sul de BH. Este é o terceiro óbito associado à condição clínica.
Nessa quarta-feira (15), Antônio Marcio Quintão de Freitas, de 68 anos, que também estava internado na mesma unidade de saúde, morreu. No dia 7 de janeiro, o bancário Paschoal Demartini Filho, de 55 anos, morreu na Santa Casa de Misericórdia em Juiz de Fora, na Zona da Mata. Conforme a Polícia Civil, foi confirmada a presença de dietilenoglicol no sangue dele.
Os números não incluem a morte de uma mulher em Pompéu, na região Central de Minas, que pode ser mais um óbito relacionado à síndrome. A vítima, de 60 anos, esteve na capital mineira no fim do ano passado e, segundo a prefeitura da cidade, consumiu a cerveja.
A polícia foi notificada de 18 casos da síndrome nefroneural por contaminação com o dietilenoglicol, sendo que 14 estão em investigação e quatro foram confirmados.
O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) revelou nessa quarta que subiu para sete o número de lotes contaminados por dietilenoglicol: L2 1354, L2 1348, L2 1197, L2 1604, L2 1455, L2 1464, da Belorizontina, e no L2 1348, da Capixaba (produzida no mesmo tanque da Belorizontina).
Água contaminada
O Mapa também apontou que a água usada para fabricar a Belorizontina estava contaminada com o dietilenoglicol. “A gente conseguiu evidenciar que a água que tem contaminação está sendo usada no processo cervejeiro. A gente não consegue afirmar de que forma ocorre essa contaminação, se é nesse tanque de água gelada ou em uma etapa anterior. Nenhuma hipótese pode ser descartada: sabotagem, uso incorreto do dietilenoglicol ou vazamento de uma solução para dentro da água”, afirma o coordenador-geral de Vinhos e Bebidas do Mapa, Carlos Vitor Müller.
Não bebam
Nessa terça-feira (14), a Backer orientou que os clientes não consumam qualquer lote do produto e nem da cerveja Capixaba. “Eu não sei o que está acontecendo. A Backer nunca comprou o dietilenoglicol”, afirmou a diretora de marketing da fábrica, Paula Lebbos. A declaração foi dada um dia após a polícia informar que a substância foi encontrada em um dos tanques de resfriamento da cervejaria.
Fonte: Rádio Itatiaia

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