
Em meio às chuvas intensas em Minas desde janeiro, as atenções se voltam para a dengue. Com quase 7 mil notificações suspeitas da doença desde janeiro – uma média de 205 a cada 24 horas –, os 853 municípios devem entregar até hoje, ao Estado, o resultado do Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (LirAa) feito no mês passado. O mapeamento é essencial para traçar estratégias e evitar uma nova epidemia como a de 2019.
No ano passado, foram mais de 480 mil doentes em todo o território, com pelo menos 178 mortes. A incidência da enfermidade – proporção de casos em relação aos habitantes – foi “muito alta” em 32 das 34 cidades da Grande BH. Do total de óbitos, 64 ocorreram na capital e municípios vizinhos.
A expectativa da Secretaria de Estado de Saúde (SES) é a de que os dados consolidados do LirAa em Minas sejam divulgados até a próxima semana. Até ontem não havia balanço parcial de quantas localidades já tinham enviado os mapeamentos.
Com a sondagem, a pasta terá condições de saber onde o mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus está se proliferando.
“O levantamento avalia o grau de infestação do vetor e dá a visão global de onde tem o Aedes e a intensidade, o que ajuda no planejamento do que será feito e como controlar os criadouros”, disse o coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Dengue, Mauro Martins Teixeira.
Ações prejudicadas
Porém, as estratégias de enfrentamento às enfermidades poderão ser prejudicadas caso as prefeituras não enviem o LirAa no prazo estipulado. Há “punição”, com o Ministério da Saúde deixando de fazer repasses financeiros. “Se o município não fizer o dever de casa, fica sem a verba para combater o mosquito”, frisa o especialista, que também é professor do Departamento de Bioquímica e Imunologia da UFMG.
Procurada pela reportagem, a pasta federal não informou qual o valor a ser repassado para Minas em 2020. O órgão disse recomendar aos municípios realizarem pelo menos quatro LirAs a cada 12 meses. A Secretaria de Saúde da capital foi contactada, mas não retornou até o fechamento desta edição.
Focos em casa
O enfrentamento ao Aedes fica ainda mais afetado sem o empenho da população, destaca o professor Mauro Martins. “Cada um tem que fazer a sua parte. Estudos mostram que boa parte dos criadouros está dentro das casas”.
O cuidado deve ser redobrado por conta das chuvas constantes e o calor intenso, típicos desta época. O docente, porém, não acredita em uma nova epidemia de dengue, como em 2019, na Grande BH. “Historicamente, uma região tem episódios grandes da doença, com maior intensidade, a cada três anos”, ponderou.

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