
As medidas de isolamento social em Minas Gerais devem ser mantidas até meados do mês de julho, segundo projeção da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). Em entrevista à rádio Super 91,7 FM, o secretário de Saúde Carlos Eduardo Amaral declarou que, apesar do sucesso no achatamento da curva do coronavírus em Minas Gerais, a epidemia deverá se estender até o meio do ano. Isso justifica que devem ser mantidas algumas das medidas de isolamento, mas não de forma tão enrijecida quanto agora.
“O que nós precisamos é que as pessoas se contaminem devagar. Nós buscamos que seja lenta a contaminação e que as pessoas sejam atendidas. Dessa forma, entendemos que vá durar até junho ou julho algum grau de isolamento, vamos manter por um tempo mais alongado”, esclarece.
A entrada das estações mais frias do ano, outono e inverno, entre os meses de março e setembro, preocupa o órgão estadual, uma vez que essas épocas já são conhecidas pela rápida disseminação de doenças respiratórias. As medidas de isolamento adotadas até agora, segundo pontuou o secretário, são uma maneira de garantir que as pessoas não adoeçam todas ao mesmo tempo para que não haja colapso no sistema de saúde.
“O objetivo do isolamento é achatarmos a curva, que as pessoas venham pegando o coronavírus de forma lenta e gradual. É normal que na época do frio as pessoas venham a ter mais contato com esse vírus. O que precisamos é que as pessoas se contaminem devagar. Nós temos um pouco de preocupação caso as pessoas se contaminem juntas, isso sobrecarregaria o serviço de saúde”, explica.
Até o momento, acredita o secretário, as medidas de contenção da pandemia do novo coronavírus têm se mostrado bastante efetivas em Minas Gerais. “Lá no início, em 22 de março, quando orientamos o isolamento, tínhamos uma projeção de que no início de abril teríamos até 14 mil pessoas infectadas precisando de serviço hospitalar no mesmo dia, e isso seria virtualmente impossível. Teríamos muita dificuldade em prestar assistência. Hoje já trabalhamos numa faixa de 5.000 pessoas possíveis de chegar no mesmo dia; com esse volume começamos a ter condição de prestar capacidade assistencial, é possível a rede do Estado absorver”, pontua.
Apesar disso, o sucesso inicial do isolamento social nos municípios de Minas se tornou uma preocupação para a Secretaria de Saúde. A pasta teme que os mineiros comecem a desrespeitar o período de quarentena voluntária, o que poderia contribuir para o aumento considerável no número de casos no Estado. “O fato de termos sucesso nos preocupa ainda mais. Se nós temos sucesso, pode ser que as pessoas comecem a sair de casa. O sucesso tem que ser mantido, senão vamos para o insucesso”, alertou o secretário Carlos Eduardo Amaral.
Um mês e seis dias após o aparecimento do primeiro caso de coronavírus em Minas Gerais, o governo estadual já foi notificado de outras 883 pessoas diagnosticadas com a Covid-19. Há registros da presença do vírus em 106 municípios mineiros; cada um com, pelo menos, um caso. Vinte e sete pacientes morreram após serem infectados. Sessenta óbitos são investigados para a doença, e cerca de 64 mil mineiros apresentaram sintomas semelhantes aos do contágio por coronavírus. Esses casos são tratados como suspeitos, pois ainda não há conclusão dos testes feitos a partir das amostras coletadas dessas pessoas.

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