“A pandemia tinha parado tudo. Agora, nos últimos dois meses, as coisas já estão melhorando, o que faz com que as pessoas tenham mais confiança. Eu, por exemplo, já estou de olho em uma televisão de 43 polegadas, que vou dar de presente para minha mãe neste final do ano”, conta Cláudia Márcia Prudêncio, gerente administrativa de uma autoelétrica em Belo Horizonte, que já começou as pesquisas para a aquisição do produto.
O otimismo dela reflete o que constatou levantamento da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio): pelo segundo mês consecutivo a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) cresceu na capital mineira, passando de 61,5 pontos em agosto para 65,5 pontos no mês passado. Entre os fatores que contribuíram para as melhoras das perspectivas estão a retomada da atividade empresarial, a prorrogação do auxílio emergencial e a proximidade das datas comemorativas de fim de ano.
Apesar de ter sido o melhor resultado neste terceiro trimestre, o indicador, que ficou abaixo dos 100 pontos – fronteira que sinaliza o otimismo do consumidor – ainda permanece em um nível insatisfatório. No entanto, todos os parâmetros apresentaram expansão, como o emprego (de 85,8 em agosto para 88,6), perspectiva profissional (74,9), renda (76,7), acesso a crédito (68,1), nível de consumo (45,3), expectativa de consumo (76,6) e consumo de bens duráveis (28,5).
Dados da própria Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) apontam também que o consumidor está mais otimista em relação à retomada da economia. Levantamento divulgado pela entidade mostra que as vendas do setor avançaram 4,04% em agosto em relação ao mês imediatamente anterior, segundo o Termômetro de Vendas.
“A retomada das atividades comerciais de todo o comércio varejista e atacadista possibilitou a melhora do desempenho. Atrelado a isso, temos também a geração de empregos, que obteve saldo positivo do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados)”, destaca o presidente em exercício da CDL/BH, José Angelo de Melo. Ao todo, foram criados 4.325 empregos formais, mais que o dobro que o registrado em julho (2.060).
A estatística e analista da pesquisa da Fecomércio, Letícia Marrara, avalia também que diante desse cenário de flexibilização que estamos vivendo, as famílias estão mais confiantes. No entanto, segundo ela, agora, mais do que nunca, é preciso cautela e planejamento.
“Neste cenário de retomada gradual, é preciso ter planejamento e cautela para ir às compras para não cair em uma inadimplência indesejada. Se o consumidor gastar um pouquinho mais de tempo para isso, com certeza vai ter mais sucesso no consumo”, enfatiza.
Para que o consumidor não vá com muita sede ao pote, ela sugere que, mensalmente, pague todas as despesas fixas mensais, economize 30% da renda, e o restante utilize para possíveis gastos eventuais. “Esse é o ideal, mas muitas pessoas acabam gastando mais no cartão, com juros nas alturas, ficando endividadas”, explica.

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