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Minas Gerais vai receber 50 milhões de seringas até dezembro

Governo estadual está em fase de implementação de Plano de Contingenciamento de Imunização, mas documento ainda não foi divulgado

19/11/2020 08h56
Por: Redação Fonte: O Tempo
Coronavac Foto: GOVESP / Fotos públicas
Coronavac Foto: GOVESP / Fotos públicas

Comprar milhões de agulhas e seringas, organizar uma rede de câmaras de refrigeração para acondicionar vacinas, estruturar centros de referência e planejar uma complexa estrutura logística que garanta a todos os 853 municípios mineiros o recebimento do que a população tanto aguarda: a vacina contra Covid. Os estudos que tentam calcular essa imensidão de demandas em Minas Gerais integram o Plano de Contingenciamento de Imunização para a Covid-19, feito pelo governo estadual. O contexto, no entanto, é nebuloso, já que o plano ainda não foi formalizado nem divulgado integralmente pelo Executivo, mesmo depois de oito meses de pandemia.

O plano chegou a ser tema de pronunciamento do secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, em setembro. Na ocasião, o próprio chefe da pasta explicou a importância da medida, dedicada primeiramente a estruturar a fase de pré-campanha de imunização. Evitar imprevistos é outro motivo importante. Governos criam planos como esse para que estejam resguardados quando a vacina for aprovada, o que possivelmente irá causar uma corrida mundial para aquisição de insumos, seguida por aumento de preços e até falta de produtos no mercado.
 
Apesar de não ter sido publicado ainda, o governo garante que o plano foi aprovado pelas instâncias necessárias e está em fase de execução. A Secretaria de Estado de Saúde afirmou que não há previsão para publicação do plano. O Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (Cosems-MG) informou que sabe do plano, mas não possui seu detalhamento.

Entre as medidas anunciadas, o secretário havia informado sobre a necessidade de criar Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais (Crie). Questionada sobre quantos Cries já foram instalados, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) não respondeu. A pasta informou que o valor destinado para essa estratégia é de R$ 7 milhões. O primeiro Crie será instalado no Hospital Eduardo de Menezes até dezembro deste ano.
 
A aquisição de seringas, outra preocupação latente dos governos, também não foi finalizada pela equipe de Romeu Zema (Novo). A pasta informou que um processo está em andamento para a compra de 50 milhões de seringas, com previsão de entrega para final de dezembro deste ano.

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Para acondicionar o imunizante, o Estado precisa de uma ampla rede de frio e câmaras de refrigeração distribuídos regionalmente. A SES disse que já instalou refletores na rede de frio, mas falta a aquisição de câmaras de refrigeração, cuja entrega de ao menos 100 unidades também é aguardada até o fim do ano. A estratégia de alugar contêineres para depósito de imunizações, anunciada anteriormente por Amaral, foi abortada. A pasta alegou que não será necessário espaço extra de armazenamento, uma vez que a vacina vai chegar em remessas parciais.
 
A necessidade de um plano estruturado de imunização justifica-se devido a fatores como o tamanho territorial de Minas Gerais, mas não somente. Conforme explica o epidemiologista José Cássio, membro do Observatório Covid-19 BR, a estratégia visa organizar a distribuição e conservação da vacina. “É preciso envolver os municípios, discutir esse transporte e a guarda do imunizante. Não se pode esperar chegar a vacina para começar essa conversa”, pontua o professor. Tornar público esse debate é outra questão levantada pelo especialista. “É importante que tudo seja feito de uma forma transparente. Esse plano tem que ser divulgado para que a população tome conhecimento”, opina.

Após fechar leitos de UTI, governo volta atrás
 
O recente aumento no número de pessoas infectadas por Covid em Minas Gerais levou o governo estadual a mudar de estratégia no combate ao vírus. Na reunião de ontem do comitê extraordinário Covid-19 foi decidido paralisar a desmobilização de leitos para Covid que estava em andamento. Isso quer dizer que o governo já estava desmontando leitos criados especialmente para casos de Covid que se encontravam ociosos, ou retornando as acomodações hospitalares para outras funções. “Nos últimos 20 dias começou a ter um leve aumento na velocidade de contágio, então isso acende um sinal amarelo”, explicou Eduardo Luiz da Silva, secretário de saúde de Taiobeiras e presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (Cosems-MG). Segundo ele, há 30 dias já estava em andamento essa desmobilização, e cerca de 10% dos quase 4 mil leitos de UTI atualmente existentes nas unidades hospitalares mineiras já haviam sido atingidos pela medida.

Secretaria de Saúde vai divulgar ações

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A Secretaria de Estado de Saúde vai divulgar hoje ações de enfrentamento à Covid. A pasta convocou coletiva de imprensa para tratar do assunto. O cenário atual da pandemia em Minas Gerais também será abordado pelo governo estadual durante o encontro com jornalistas.

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