Em 2020, as casas se transformaram em salas de aula. Se antes o começo do ano era marcado pela busca pelos melhores preços de materiais escolares, em 2021, apenas 26,7% dos pais pretendem ter algum gasto do tipo em Belo Horizonte. Segundo levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead/ UFMG), a redução, comparada ao ano passado, foi de 15 pontos percentuais.
Para a coordenadora do estudo, Thaize Martins, diante das incertezas do momento, a procura pelo material escolar deve atrasar neste ano. A pesquisa realizada neste mês, com 210 consumidores, indica que 75% pretendem adotar alguma estratégia para economizar. As medidas mais citadas foram reutilizar o material escolar do ano anterior (42,86%) e pesquisar preços em diferentes estabelecimentos (41,07%).
“A gente percebeu que a pandemia resultou em uma grande evasão na educação infantil, e em outras séries os pais não precisam trocar a mochila, o estojo, porque não houve desgaste. A questão da indefinição como será este ano letivo também gera essa incerteza na hora da compra, muitos estão esperando para ver como vai ser o ano para comprar ou não o material escolar”, explica.
É o caso da servidora pública Tania Menezes, 53. O filho, que está nono ano e estuda em uma rede particular da capital mineira, até tentou ganhar alguns materiais novos, mas para este ano vão ser os mesmos cadernos, canetas e corretivos. No ano passado, Tania chegou a gastar R$ 1.700 na lista de matérias. Neste ano, foram R$ 350.
"Ninguém sabe como vai ser esse ano, vai começar online, mas e depois? Eu acho que toda literatura tinha que ser por pdf, acabar com a obrigatoriedade da compra de apostilas caríssimas, o ensino não é remoto? As escolas que se adaptem a isso também”, diz ela. “Tudo deveria ser online, a gente evita papel, xerox, dinheiro gasto de uma forma absurda nessa época que estamos vivendo. Não deveria ter nenhum tipo de cobrança de material, nem caderno. Cada um em casa faz como achar melhor, com o que tem já”, avalia Tania.
Parcelamento vira preferência
Em tempos pré-pandemia, muitos pais acabavam optando por comprar à vista os materiais escolares para conseguir melhores descontos. Neste ano, no entanto, muitos consumidores estão mais propensos a pagar as compras com cartão de crédito parcelado.
De acordo com o levantamento da Ipead/UFMG, o número de pais que optaram por essa modalidade de pagamento subiu de 26,97%, no ano passado, para 33,93%, neste ano.
“É uma compra de alto custo, e à vista ou em pagamento em dinheiro sempre se consegue melhores preços, mas vimos que a situação econômica e financeira tem impactado nessa forma de pagamento também, é o resultado da economia e como as pessoas estão financeiramente”, explica a coordenadora da pesquisa, Thaize Martins. “Todo esse cenário gera um retorno muito ruim para o comércio, que acaba tendo expectativa na piora do faturamento”, complementa a economista.
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