Em seu depoimento à CPI da Covid no Senado, o médico sanitarista e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Cláudio Maierovitch, disse que mortes pelo coronavírus poderiam ter sido evitadas no Brasil se o Ministério da Saúde tivesse investido em vacinas.
“Com o Instituto Butantan e com a empresa Pfizer, nós teríamos evitado algo em torno de 80 a 90 mil mortes no país, sem nenhum outro tipo de ação”, afirmou.
Maierovitch falou também que a defesa da cloroquina no combate ao coronavírus é “insustentável”. “Cloroquina não produz efeitos benéficos em relação à covid-19. Então é insustentável defender, ainda que os efeitos adversos sejam raros, a sua defesa”, ressaltou.
O médico sanitarista fez críticas à realização da Copa América no Brasil. “Acredito que ninguém da área de Saúde Pública, ninguém em sã consciência, se colocaria a defender a realização de qualquer atividade que reúne gente numa situação cataclísmica como vivemos, do ponto de vista da transmissão” disse.
“Outros dois países se negaram e não estão em situação pior do que a nossa. Beira a insanidade que um país que hoje tem sido aquele que ostenta o maior número de mortes diárias por uma doença traga para si eventos que reúnem pessoas, sabendo que não é possível conter completamente a transmissão”, completou.
O médico comentou a fala do presidente Jair Bolsonaro, que defendeu medidas para liberar o uso de máscaras para quem já se vacinou ou teve a doença. “A máscara deve ser das últimas a cair, já que ela é instrumento fácil, barato, que não interfere no funcionamento da economia, não interfere em qualquer necessidade das pessoas”.
Nesta sexta-feira, a CPI da Covid aprovou requerimentos para que juristas e pesquisadores de universidades apresentem um estudo sobre os crimes que podem ser imputados ao presidente Jair Bolsonaro por ações e omissões no combate à pandemia.
Até agora, quatro pessoas que tiveram requerimentos de quebra de sigilo aprovados pela CPI acionaram o Supremo Tribunal Federal para tentar derrubar a decisão, entre eles o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

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