Mais transmissível que as outras mutações do novo coronavírus, a variante Delta avança em Minas. Nessa quarta-feira (11), mais sete casos da cepa originária da Índia foram confirmados no território mineiro e pelo menos outros oito são investigados no Estado. O governo, porém, ainda não trabalha com a possibilidade de transmissão comunitária.
Segundo a SES-MG, o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) está investigando o histórico dos doentes e seus contatos. Ações de vigilância genômica foram ampliadas e há um monitoramento rigoroso dos casos suspeitos. Os estudos são feitos por parceria entre a secretaria, a UFMG e a Fundação Ezequiel Dias (Funed).
Conforme o governo estadual, o Observatório de Vigilância Genômica de Minas Gerais (OViGen-MG) faz acompanhamento semanal das mutações, pela análise de 180 amostras aleatórias de nove unidades regionais de Saúde. Além disso, o Cievs avalia se há circulação em outras regiões, a partir dos indicadores que revelam tendência de aumento de casos.
Para o professor de genética da UFMG Renan Pedra, responsável pelos estudos que identificaram as variantes, a mutação indiana pode ultrapassar a cepa Gama (de Manaus) – também chamada de P1 – e se tornar a prevalente. O pesquisador aponta que, em três semanas, a P1 já representava 75% dos casos em BH.
“Vendo os números, se a Delta está entrando nessa velocidade, algo que a Alfa não conseguiu, acho que ela vai vencer a Gama. A questão é em quanto tempo”, pondera Renan Pedra.
De acordo com o infectologista Unaí Tupinambás, membro do Comitê de Enfrentamento à Pandemia de BH, a variante Delta é mais agressiva nas pessoas que não foram vacinadas, algo que já é visto nos Estados Unidos e no Reino Unido. Com a campanha de imunização avançando, ele prega cautela sobre um novo cenário no Brasil.
“A expectativa é de que vão aumentar os casos de Covid nas próximas semanas, mas não sabemos o impacto disso na assistência hospitalar e na mortalidade”, disse o médico.

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