Enquanto países da Europa e de outros continentes voltaram adotar rígidas medidas sanitárias na tentativa de conter nova onda de disseminação da covid-19, o Brasil segue com suas fronteiras abertas, sem sequer exigir comprovante de vacinação de visitantes. No entanto, prefeitos e governadores começam a cancelar eventos, como o carnaval de 2022.
Ao comentar o avanço da covid-19 na Europa, o presidente Jair Bolsonaro (sem foto) disse na manhã desta quinta-feira (25), em entrevista à Rádio Sociedade da Bahia, que uma nova onda da doença está vindo.
“Outra onda, sim, está vindo. Eu não sei se é outra cepa de vírus ou se acabou a validade das vacinas tomadas por lá. Os problemas estão aí. […] É uma realidade que temos que enfrentar, não adianta a gente esconder e nem culpar ninguém por essa tragédia que está acontecendo no mundo todo”, afirmou o presidente, que já menosprezou a pandemia em diversas ocasiões e culpou a China pela disseminação da doença.
Diante desse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, nesta quinta-feira (25), duas notas técnicas recomendando à Casa Civil da Presidência da República que a vacinação contra a covid-19 seja obrigatória para entrada no Brasil por ar e terra. Já a segunda dose ou a dose única da vacina deve ter sido dada ao menos 14 dias antes da entrada no país, segundo a agência.
Tal medida já foi pedida pelo governo do estado de São Paulo, onde fica o mais movimentado aeroporto internacional do país, Giuarulhos.
A política de entrada que está em vigor no país hoje não exige a vacinação – seja por terra ou ar. A entrada de estrangeiros por rodovias ou quaisquer outros meios terrestres está proibida, com algumas exceções. A recomendação da agência é, no futuro, só permitir a entrada de pessoas por este modal se estiverem vacinadas.
“A inexistência de uma política de cobrança dos certificados de vacinação pode propiciar que o Brasil se torne um dos países de escolha para os turistas e viajantes não vacinados, o que é indesejado do ponto de vista do risco que esse grupo representa para a população brasileira e para o Sistema Único de Saúde (SUS)”, alerta a Anvisa em uma das notas.
Em qualquer tipo de entrada, a recomendação da Anvisa é que sejam aceitas as vacinas aprovadas ou pela própria Anvisa ou pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Além das vacinas já aprovadas pela Anvisa – da Pfizer, Oxford/AstraZeneca, Johnson e CoronaVac –, a OMS também já valida as da Moderna, Sinopharm e Covaxin.
Em nota, o Ministério da Saúde disse que “os critérios para a entrada de estrangeiros ou brasileiros vindos do exterior são elaborados de forma integrada e interministerial, visando sempre a segurança e o bem-estar da população brasileira”.
No entanto, o ministério não respondeu se a exigência do passaporte de vacina será colocada em prática ou não.

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