Mesmo com a renda achatada pela inflação alta, a classe média brasileira não abandonou as mensalidades dos planos de saúde. O medo de enfrentar prontos-socorros e hospitais lotados, especialmente com a circulação de um vírus tão perigoso quanto o Sars-Cov-2, fez com que muita gente priorizasse a saúde privada ao definir os gastos do orçamento familiar. Prova disso é que, em Minas, o número de beneficiários cresceu 3,8% em outubro de 2021, em comparação com o mês do ano anterior. No Brasil, o crescimento foi de 2,9%.
Segundo Vera Valente, diretora executiva da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que representa 15 grupos de operadoras de planos e seguros privados de assistência à saúde, a crise econômica iniciada em 2016 fez com que o número de beneficiários caísse em todo o país. Mas a pandemia fez com que a realidade mudasse, mesmo que a questão econômica ficasse ainda mais agravada. Desde junho de 2020, o número de beneficiários só cresce.
“As pessoas entenderam a importância de ter acesso a uma saúde e medicina de qualidade, com atendimento médico garantido. O desafio é fazer com que esses beneficiários consigam manter seus planos de saúde em meio à crise econômica, além de permitir que novas famílias acessem a saúde suplementar, contribuindo inclusive para desafogar o SUS”, afirma Vera.
Não faltam exemplos de pessoas que preferem cortar outros custos para dar conta de pagar pela saúde suplementar. Como a professora Tatiana Marchi, 41, que cresceu com acesso à rede privada e faz questão de garantir isso para o filho, de 13 anos. Ela revela que a saúde sempre teve um peso grande no orçamento da família e hoje está ainda mais difícil pagar as mensalidades – que respondem por 20% da renda da professora.
“Sempre pagamos um valor muito alto, mas nós sempre fizemos questão de ter plano de saúde porque, infelizmente, não podemos contar tanto com o SUS para uma emergência, dada toda essa situação que a gente acompanha nos noticiários sobre o sistema público”, explica.
Responsável por cerca de 25% dos beneficiários de Minas, a Unimed-BH hoje atende mais de 1,37 milhão de pessoas – o maior número em 50 anos de atividade. A estimativa da cooperativa é de um faturamento de R$ 6,1 bilhões em 2021, sendo que em 2019 o valor havia sido de R$ 5,5 bilhões.
Estratégia. Segundo Samuel Flam, diretor-presidente da Unimed-BH, a operadora criou uma estratégia para retenção e conquista de novos clientes durante a pandemia. “O plano Unifácil Individual foi retomado com o objetivo de ampliar a nossa atuação neste segmento, fortalecendo a presença da Unimed-BH em cidades da região metropolitana de Belo Horizonte. Já o Bem Digital possui um aplicativo exclusivo com acesso 24 horas além de cobertura completa por meio de uma rede de atendimento específica e sob medida, com custo mais acessível para o cliente”, diz o presidente.
A cooperativa pretende ampliar ainda mais sua carta de clientes, oferecendo mais serviços para moradores da Grande BH. Em 2021, a Unimed-BH adquiriu 15% do Hospital Vila da Serra, em Nova Lima, e está investindo R$ 200 milhões para transformar a unidade de Contagem em hospital.
Enquanto a saúde suplementar brasileira tem o maior número de beneficiários desde março de 2016, uma comissão especial da Câmara dos Deputados avalia mudanças na Lei 9.656, de 1998, que regulamenta o setor. Um texto preliminar do relator, Hiran Gonçalves (PP-RR), prevê alterações que vão gerar mais custos para os clientes. Um dos pontos mais polêmicos é a alteração do Estatuto do Idoso para permitir um aumento na cobrança dos beneficiários com mais de 60 anos. Atualmente, as operadoras não podem fazer discriminação por idade para esse público.
A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) defende uma diversificação nas coberturas oferecidas, permitindo a oferta de planos que não oferecem todos os tratamentos, mas têm valores mais acessíveis. “Defendemos uma maior segmentação, com mais modalidades de cobertura; novos modelos de franquias e coparticipação; e mais liberdade para a comercialização de planos individuais, com regras competitivas para preços e reajustes”, afirma a diretora executiva da FenaSaúde, Vera Valente.
Já o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) avalia que as mudanças na lei podem trazer graves prejuízos aos consumidores. O Conselho Nacional de Saúde também é contrário às mudanças.
Outros municípios e Estados. Ante um mercado crescente, grandes grupos empresariais do setor expandem sua atuação Brasil afora. A rede Mater Dei, que nasceu em Belo Horizonte há 41 anos, é um exemplo disso. O grupo está construindo um hospital em Salvador e adquiriu, recentemente, o hospital Santa Genoveva, em Uberlândia, e o hospital Porto Dias, em Belém.


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