Cidades do interior de Minas Gerais já começam a enfrentar dificuldades para ofertar leitos pediátricos de unidades de terapia intensiva (UTIs). A alta na transmissão da Covid-19 em crianças já resulta em uma ocupação de 100% dos leitos destinados às crianças em Sete Lagoas, na Região Central. Em Divinópolis, no Centro-Oeste, não há mais vagas na rede particular e, para pacientes que chegam via Sistema Único de Saúde (SUS), só há cinco vagas de internações disponíveis.
O painel de monitoramento da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG) mostrou que, nesta terça-feira (25), 10 crianças estavam internadas em UTIs no Estado após infecção pelo coronavírus. Além de Divinópolis e Sete Lagoas, os municípios com hospitalizações são Caratinga, Nova Lima, Caeté e Belo Horizonte. Contagem, na Grande BH, é outro município com 50% dos leitos de terapia intensiva ocupados.
A sobrecarga na região, inclusive, é refletida no Hospital Infantil João Paulo II, em BH, que já trabalha com 105% de ocupação. O presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Julvan Lacerda, destacou que o problema hoje é enfrentado, principalmente, por prefeituras de cidades de menor porte que reportam as dificuldades à entidade. “É uma preocupação momentânea, os municípios pequenos não têm uma capacidade de resolutividade do problema e os grandes municípios, as cidades-pólo não estão conseguindo atender”, disse.
Lacerda ainda ressaltou que os secretários municipais de saúde estão discutindo a situação para tentar chegar a um consenso. “A maneira que observamos de amenizar o problema é ampliação de vagas de leitos infantis, já que nesse momento a doença afeta mais as crianças. Esperamos que o Estado se posicione, a gente quer saber se a estrutura montada anteriormente para adultos pode ser transferida”, destacou.
Dificuldade
Em Divinópolis, a situação vivenciada é parecida ao que foi descrito por Julvan Lacerda. A cidade recebe pacientes de outras 54 cidades mineiras. Informe divulgado pela administração municipal mostra que em uma das unidades que recebem os pequenos com resultado positivo para a Covid está com 200% de ocupação. O caso foi registrado no Hospital Santa Mônica, que tem apenas atendimento particular ou a pacientes conveniados a planos de saúde.
A unidade só possui um leito de terapia intensiva, mas há duas crianças internadas, conforme boletim divulgado nesta terça-feira (25). Já no Complexo de Saúde São João de Deus, que atende à rede particular e o único que atende o Sistema Único de Saúde (SUS), só há vagas na rede pública. O hospital tem um leito de terapia intensiva para a rede suplementar, que está ocupado. No SUS a ocupação é de 50%, com cinco crianças internadas e cinco leitos disponíveis ainda para internação.
A prefeitura diz que enviou ofício ao governo do Estado sobre o assunto. Em Sete Lagoas, a assessoria de imprensa da prefeitura justificou que não existe leito de UTI infantil exclusivo para Covid. “O setor de alta complexidade pediátrico é composto por dez leitos na estrutura do Hospital Nossa Senhora das Graças. Por atender casos de diversas patologias, inclusive neonatal, de 35 municípios, a ocupação é sempre alta”, ressaltou.
Conforme a prefeitura, a abertura de novos leitos esbarra na dificuldade de contratação de profissionais. Questionada sobre o problema, a SES/MG destacou que estão cadastrados 199 leitos pediátricos de UTI na plataforma SUSfácil, com taxa de ocupação de 45,23%. Já para pacientes exclusivos com Covid, são 78 vagas. A pasta, no entanto, não informou sobre a ampliação de leitos nos municípios com demanda intensa.

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