Três meses após o desabamento do cânion em Capitólio, no Sul de Minas, a Polícia Civil não identificou responsáveis ou culpados pela tragédia no Lago de Furnas. A corporação finalizou o inquérito nesta sexta-feira (4) e concluiu que não houve interferência humana. De acordo com o delegado regional de Passos, Marcos Pimenta, o acidente foi um evento natural. A tragédia deixou 10 mortos e 27 pessoas feridas. Todas as vítimas estavam na lancha “Jesus”.
“As investigações encerraram com a conclusão do último laudo pericial. É importante falar que nós fizemos muitos laudos [...] Para a Polícia Civil, não houve ação humana que teve nexo causal com a queda. O nosso trabalho foi ininterrupto visando esclarecer e melhorar as condições de turismo no local e, assim foi feito,” disse o delegado.
Entenda
O perito Rogério Shibata explicou, conforme laudo local, que inicialmente os investigadores analisaram a região “por cima” e depois seguiram para perto da água. Além dos registros fotográficos, eles olharam embarcações e vestimentas na tentativa de identificar as vítimas. “Cada corpo que chegava, a gente já fazia o registro, pegava detalhes, como piercings, marcas de nascença e cicatrizes”, afirmou.
Para facilitar o trabalho e mediação da comunicação com a imprensa, a polícia criou um grupo de WhatsApp, onde toda a informação que era repassada para a mídia era primeiro tratada com familiares das vítimas.
A ação contou com apoio da Polícia Federal (PF) e, em 36 horas, as dez vítimas foram identificadas. “Paralelo a isso, no dia 13 [janeiro], acionamos um grupo de peritos com apoio aéreo da Polícia Civil, esse grupo seguiu para a região e fez levantamentos geológicos e arquitetônicos para abordagem em momento oportuno”, destacou Shibata. Na ocasião, Marcos Pimenta conta que foram verificadas “necessidades de aprimoramento”.
Dentre as irregularidades, a instituição encontrou decreto municipal sobre um píer que serviria para fiscalização de embarcações no local. Porém, nenhum píer foi localizado na região. “Segundo a prefeitura, esse píer estava no local, mas ele foi retirado por vândalos [...] A prefeitura de Capitólio tinha o dever de fiscalizar a área e fiscalizava. Durante as oitivas, ficou comprovado que tinha um fiscal de moto aquática no local”, disse Pimenta.
“Nesse lapso temporal ficamos trabalhando, aguardando perícia geológica”, afirmou o delegado. Porém, as irregularidades não teriam, necessariamente, relação com a tragédia.
"Nós não encontramos eventuais responsáveis por essa queda, se não um evento natural, entretanto a Polícia Civil preparou algumas sugestões [de segurança] que serão encaminhadas para o Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Marinha do Brasil, dentre outros”, concluiu Pimenta.
Futuro de Capitólio
Conforme o delegado, a polícia se comprometeu em contribuir com a segurança em Capitólio e estabeleceu dez medidas de segurança para adoção na região.
1 - Realização de mapeamento de todas as zonas de risco, movimentos de massa, por geólogos e outros profissionais especializados no ramo e sua demarcação em campo e em planta;
2- Redução do número de embarcações nos cânions, as quais deverão apenas contemplar o local. Ou seja, seguir em velocidade reduzida e não permanecer estático;
3 - Implementação com selo, oferecido pelo poder público, e identificação das embarcações;
4 - Identificação de todos os turistas nas embarcações, sendo que os cadastros deverão estar disponíveis nos píers;
5 - Uso obrigatório de colete em toda a represa e de capacete próximo a região dos cânions e áreas semelhantes;
6 - Maior integração entre os órgãos e instituições responsáveis pela concessão e fiscalização de empreendimentos turísticos;
7 - Proibição de passeios turísticos na região após alertas da Defesa Civil;
8 - Fortalecimento das fiscalizações de engenharia, geologia e ambiental;
9 - Exigência de estudo de risco e de contenção para empreendimentos turísticos;
10 - Efetiva participação de Furnas e da concessionária Nascentes das Gerais na adoção de medidas preventivas de segurança.

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