O que tinha tudo para ser uma corrida comum se transformou em longos e desgastantes 15 minutos para o casal Marília e Eloá nessa segunda-feira (29). Foi durante esse tempo que as duas moradoras de Vitória, no Espírito Santo, denunciam ter sido alvo de diversos xingamentos e falas homofóbicas vindas do motorista por aplicativo que as conduzia.
Pelas redes sociais, o casal decidiu não se calar. Em sequência de tweets que já soma milhares de interações, Marília narra como tudo aconteceu e pede ajuda para que a justiça seja feita.
“Amigos, acabei de sofrer muitas agressões verbais numa viagem de Uber que durou 15min aproximadamente. O motorista, com seu discurso de ódio, foi preconceituoso de muitas formas, dizendo que eu e minha esposa somos aberrações e não devíamos nem existir”, escreveu.
Amigos,
— marilai (@marilai__) March 29, 2022
Acabei de sofrer muitas agressões verbais numa viagem de Uber que durou 15min aproximadamente.
O motorista, com seu discurso de ódio, foi preconceituoso de muitas formas, dizendo que eu e minha esposa somos aberrações e não devíamos nem existir. +@Uber_Brasil
Quando o casal se posicionou sobre as falas agressivas do motorista, a escritora conta que ele “aumentou ainda mais a voz e o desrespeito”. Na sequência, ela publicou um vídeo que mostra parte das agressões.
“Pra mim isso é errado. O homem nasce homem e a mulher nasce mulher, cê pode até procurar outra forma de vida, o problema é seu, mas isso não existe não”, diz o motorista, no que Eloá responde: “E não existe também ser atacada dessa forma, né senhor? Eu tô aqui com a minha esposa, a gente tá muito mal com a sua fala. Você não tem o diretio de opinar quando fere a existência de outra pessoa”.
À reportagem, Marília conta que tudo aconteceu muito rápida e de forma inesperada. Tanto que as duas demoraram a perceber o que de fato estava acontecendo.
“A gente tava aguardando de mãos dadas na calçada e quando a gente entrou [no carro] nem percebemos qualquer alteração no humor dele. Mas depois ele começou a falar sobre algumas ideologias, começou a puxar assunto, mas um assunto em que só ele falava”, relembra.
Outra atualização: uma parte do vídeo está aqui. Coloquei um desfoque porque tá filmando rosto etc. pic.twitter.com/jl4bGgnA21
— marilai (@marilai__) March 29, 2022
Marília conta que, depois de falar coisas como “pessoas em situação de rua tão ali porque são vagabundas” e “na minha época se resolvia as coisas com tiro”, os ataques do motorista se tornaram cada vez mais diretos. Foi quando o casal resolveu agir e começou a filmar a corrida.
“Ele falou que era uma aberração, que a gente não deveria existir, que a gente tava querendo privilégio, que a gente tava acabando com a família, um discurso bem de ódio. Quando a gente desceu no destino final ele ainda gritou que tinha um lugar reservado no inferno pra gente”, conta a escritora.
Depois de descerem do veículo, as duas foram imediatamente para uma delegacia prestar uma queixa contra o homem. Mas em meio a tanta repercussão, tem sido difícil calcular os próximos passos.
“Pra ser sincera, a gente tá muito cansada de passar por isso, de repetir a história, de lidar com tanta repercussão, porque a gente não teve tempo de processar as coisas. Tá tudo muito doloroso”, desabafa Marília.
A Uber disse que a conta do motorista foi desativada asism que soube do ocorrido. “A empresa considera inaceitável qualquer tipo de discriminação”, disse a empresa, em nota (veja abaixo).
“Em parceria com o MeToo, a Uber disponibiliza um canal de suporte psicológico que foi informado à usuária e segue disponível. Além disso, a empresa está à disposição para colaborar com as autoridades e compartilhar informações sobre os envolvidos, observada a legislação aplicável”, acrescentou.
Vale reforçar que homofobia e transfobia são crimes previstos por lei. Eles entram na lei do racismo, já existente há 30 anos e, com isso, as punições são semelhantes. O STF (Supremo Tribunal Federal) criminalizou a homofobia em junho de 2019.
Veja o que é considerado crime:
A Uber defende o respeito à diversidade e reafirma o seu compromisso de promover o respeito, igualdade e justiça para todas as pessoas LGBTQIA+. A empresa considera inaceitável qualquer tipo de discriminação e a conta do motorista parceiro foi desativada assim que tomamos conhecimento do ocorrido.
Em parceria com o MeToo, a Uber disponibiliza um canal de suporte psicológico que foi informado à usuária e segue disponível. Além disso, a empresa está à disposição para colaborar com as autoridades e compartilhar informações sobre os envolvidos, observada a legislação aplicável.
Sabemos que o preconceito, infelizmente, permeia a nossa sociedade e que cabe a todos nós combatê-lo. Como parte desses esforços, a Uber lançou, por exemplo, o podcast Fala Parceiro de Respeito, em parceria com a Promundo, com conteúdos educativos sobre LGBTfobia.

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