Longe dos “holofotes” em meio à pandemia da Covid-19, a dengue avança cada vez mais em Minas. Casos da doença transmitida pelo Aedes aegypti praticamente triplicaram em apenas um mês. O aumento percentual supera o das contaminações pelo coronavírus no mesmo período, reforçando alerta para as medidas de combate ao vetor.
Até o momento, 11,3 mil mineiros tiveram dengue e sete morreram. Além disso, 233 cidades estão em “situação de risco” para a infestação do mosquito. O dado consta no Levantamento Rápido de Índices para Aedes (LIRAa), divulgado no início de abril. O estudo aponta locais com focos do inseto.
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia e professor do Departamento de Microbiologia da UFMG, Flávio da Fonseca, os ciclos epidêmicos da doença acontecem, em média, a cada três anos e, por isso, 2022 merece atenção.
“É por causa da imunidade coletiva. Quando você tem um ano com muita infecção, a maior parte das pessoas fica imunologicamente resistente. Dois ou três anos depois, esse sorotipo é substituído por um que estava circulando com menos intensidade, ou seja, que as pessoas não tem tanta resistência”, explica o especialista.
O pesquisador da UFMG destaca que o coronavírus é uma preocupação mundial, que demanda atenção especial. No entanto, não se pode ignorar a dengue.
“Obviamente, a dengue ficou em segundo lugar, primeiro porque o número havia caído, e segundo porque a gente tinha preocupações mais prementes e ainda temos em relação à Covid. Mas a gente nunca deve perder de foco o problema da dengue no Brasil e nos países tropicais”.
Sem uma vacina na rede pública contra a doença provocada pelo mosquito, o controle do vetor depende da ajuda da população. “Evitar água parada. Essa tem sido a principal forma de controle da dengue nos últimos 30 anos que a gente meio que esqueceu em razão da pandemia de Covid”.

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