
“Escola inclusiva é aquela que não deixa ninguém pra trás.” Foi o que escreveu a jornalista, mineira, Mariana Rosa, de 44 anos, mãe da pequena Alice. Em um post que ganhou as redes sociais, ela conta que a filha ficou doente e os coleguinhas da turma de uma escola particular, da Região Centro-Sul de Belo Horizonte, decidiram esperar a pequena para a apresentação de um trabalho coletivo.
Alice tem 8 anos e nasceu com vinte e nove semanas, novecentos gramas. Em razão da prematuridade extrema, ficou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por 145 dias.
"Durante esse período, ela teve várias intercorrências e, uma delas, foi uma parada cardiorrespiratória quando ela tinha 40 dias de vida. Em razão disso, ela evoluiu com um quadro de paralisia cerebral”, explicou.
Alice está na escola comum com alunos da faixa etária dela. Este ano, o colégio propôs à turma que cada criança fizesse uma pesquisa sobre um animal para a confecção de um livro, que seria apresentado pelas crianças na última sexta-feira (3).
“Em 30 de maio, Alice apresentou os primeiros sintomas e adoeceu. Ela pegou covid e precisou ficar sem ir à escola por uma semana”, contou. Em solidariedade, os alunos - com mediação das professoras - decidiram adiar a apresentação.
“A apresentação então foi adiada esperando que ela retorne para que ela possa participar junto com os demais colegas. Essa foi uma decisão que eles tiveram em assembleia”, contou.
A inclusão das pessoas com deficiência ainda não é uma realidade em muitas instituições de ensino. Segundo a jornalista, isso mostra como trata-se de direito recente ainda na nossa sociedade.
“A gente só tem crianças e jovens com deficiência tendo direito a educação, de fato, assegurado, a um pouco mais de duas décadas. É um direito muito recente e, por isso, acredito que muitas instituições ainda estão se desenvolvendo e aprendendo como fazer isso na prática. O fato é que esse é um direito e não tem como negociar nem voltar atrás”, disse.
A mãe e jornalista conta que ficou feliz com a atitude das crianças, que enviaram mensagens de melhoras para a pequena Alice. “Eu fico muito feliz pelo fato da gente estar construindo isso junto na escola - com muitos erros e acertos”, relatou.
Alice se recuperou da covid. A pequena desenvolveu um quadro de broncoespasmo e continua em tratamento. “Ela já saiu da dependência do oxigênio. Agora, a gente só está aguardando o quadro de saúde se firmar pra ela retornar à escola. Mas ela já está bem e ter esse acolhimento dos colegas ajudou na recuperação e na saúde dela”, finalizou.
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