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Mais de 33 milhões estão passando fome no Brasil

Atos solidários cumprem papel do poder público ao auxiliarem moradores de rua

10/06/2022 às 15h57
Por: Redação Fonte: Mega Cidade com Itatiaia
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Cresce população em situação de rua e, em paralelo, a ação de pessoas e grupos que esticam as mãos em sinal de ajuda para uma retomada
Cresce população em situação de rua e, em paralelo, a ação de pessoas e grupos que esticam as mãos em sinal de ajuda para uma retomada

Mais de 33 milhões de brasileiros vivem hoje em um cenário de insegurança alimentar grave no Brasil. Isso significa que 15% da população brasileira está passando fome. Os dados são do levantamento realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan) e mostram que esse número praticamente duplicou com relação à pesquisa anterior, feita em 2020. Grande parte dessa população está vivendo nas ruas e, em muitos casos, ter ou não o que comer depende da solidariedade de pessoas ou entidades.

Esse apoio particular, que está além das políticas que o poder público oferta à população, em alguns casos, pode ser fundamental para mudar os rumos da vida de alguém em situação de rua.

Esse foi o caso de Márcio Militão, 46, que ficou por 20 anos sem ter um lar e só conseguiu se livrar do vício em drogas e posteriormente sair das ruas depois que um grupo de voluntários resolveu o ajudar e pagar o tratamento em uma clínica de reabilitação.

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“A gente precisa de muita força de vontade, porque é uma briga com o leão todos os dias, mas sair da rua é difícil. Se não fosse o bom coração das pessoas, eu não teria conseguido”, recorda Márcio, que recentemente conseguiu da prefeitura o benefício do “Bolsa Moradia”, no valor de R$ 500, e agora tenta reconstruir a vida ao lado da esposa e da enteada.

“Daqui para frente é só subir, estou tendo uma oportunidade que eu sei que a grande maioria não consegue. Eu quero terminar os estudos, tirar a carteira e conseguir um emprego”, sonha.

“A maioria das pessoas que está na ruas só precisa de uma força, é esticar a mão. Para quem está nessa situação a rua funcionou como uma válvula de escape, seja por conta da bebida, da droga ou da família que não aceitou. A gente só precisa de um empurrão. Nem todo mundo que está na rua é bandido”, acrescenta Flávio William, de 35 anos. Há dois anos, ele mora em um abrigo provisório em Belo Horizonte depois de passar mais de 10 anos na rua.

Eu achava que a rua nunca ia acabar

Atualmente, ele aguarda uma vaga em um curso profissionalizante. O sonho é ser eletricista que nem o pai. “Eu achava que a rua nunca ia acabar, mas tudo tem um fim. Pode parecer que não, mas tem mais gente boa do que má nesse mundo. Já cheguei a ficar 5 dias sem comer, foi a boa ação das pessoas que me ajudou a continuar vivo”, conta.

Leia mais: Abrigos de BH são alvos de queixas, e políticas públicas internacionais apontam novos caminhos

Segundo a psicanalista Tatiana Ianini, se engana quem pensa que ao ajudar o próximo está praticando uma boa ação para o outro. Para ela, ser solidário é um recurso de sobrevivência.

Ser solidário é o que nos torna humanos

"A solidariedade é um recurso do ser humano para evitar a solidão. Você precisa do outro para existir e ao contribuir para a vida de alguém você cria estímulos no corpo e no cérebro de realização e bem estar associado ao prazer. Ser solidário é o que nos torna humanos”, explica a especialista.

E foi com o intuito de retribuir todas as oportunidades que já teve na vida que há 14 anos, o religioso Júlio Lacerda, 58, fundou o projeto “Cidade Refúgio”, em Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte. Lá, ele oferece moradia gratuita, alimentação, e cursos profissionalizantes para pessoas em situação de rua. Segundo o religioso, mais que um cobertor, um agasalho ou uma refeição, é o calor humano que faz diferença: custa pouco para quem oferece, mas vale muito para quem recebe.

“Solidariedade é estender a mão, é oferecer um abraço, é ser ouvido para essa população que tanto carece, que tanto precisa. Ser solidário é se colocar no lugar do outro, é ser humano”, explica.

“Aqui, nós oferecemos alimentação, cursos em várias áreas e depois que essas pessoas concluem essa primeira etapa, elas são encaminhadas para um local de reinserção social, onde elas já estão aptas para serem inseridas ao mercado de trabalho. Tudo é feito com o apoio de diversos profissionais. Temos atendimento psicológico, o trabalho de assistentes sociais, dentistas. No fim, solidariedade é o que essas pessoas precisam”, reforça.

A coordenadora da Pastoral de Rua da Arquidiocese de Belo Horizonte, Claudenice Lopes, concorda. Há 22 anos trabalhando na área, ela é categórica ao afirmar que a solução dos problemas de quem mais precisa é oferecer oportunidades. Segundo a assistente social, 90% dos moradores em situação de rua que têm acesso à moradia e ao emprego conseguem sair dessa situação.

“Há duas décadas eu acompanho vários processos de saída das ruas e a grande maioria quando consegue condições básicas está hoje em outra condição. O que acontece muitas vezes é a sociedade culpar essas pessoas, falar que ela está ali porque ela quer ou porque não dá conta, mas o primordial é estabelecermos uma relação de igual para igual com essas pessoas", destaca Claudenice, que ainda acrescenta. "Se oferecermos oportunidade e apoio, essa pessoa começa a se perceber enquanto cidadão que tem direito e começa a buscar outros caminhos. Tudo isso tem um impacto muito grande para a construção de uma autoestima que está perdida”, analisa.

“Falta o básico: um abraço”

Há seis anos, o empresário Emílio Rohrmann se organiza junto com um grupo de 30 voluntários para dar o básico a essa população em situação de rua. Uma vez por mês, ele oferece um galpão na região da Pedreira Prado Lopes, na região Nordeste da capital, para quem está na rua possa tomar um banho dignamente. O projeto oferece ainda café da manhã, almoço, corte de cabelo e doações de roupas para pelo menos 70 pessoas.

“São pessoas que são super discriminadas, quase nunca recebem um ‘bom dia’, isso quando não mudam de calçada quando elas estão por perto. A maioria nunca recebeu um aperto de mão, quem dirá um abraço. Então, a ideia do banho é além de ser físico, é para lavar a alma. É a oportunidade de proporcionar dignidade para essas pessoas”, avalia Emílio.

A maioria nunca recebeu um aperto de mão, um abraço

Para o professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, Frederico Garcia, apesar da importância da solidariedade organizada pela sociedade civil é preciso que haja integração dessas iniciativas com o poder público para que com o tempo esses projetos não desapareçam.

“O problema da política privada é que ela se perde com o tempo, acaba, seja pela falta de recursos ou motivação”, destaca o especialista, que cita exemplos de quando a ajuda pode se tornar um problema.

“O intuito é sempre ajudar, mas às vezes essas ações não se completam. Muitas vezes se tem mais roupas de mulher do que homens para essas doações, sendo que sabemos que a maior parte da população nas ruas é masculina. Isso faz com que essas roupas sejam jogadas na rua e se tornem dejetos, porque de fato se torna difícil de ser utilizado. A política pública precisa ser bem organizada para andar junto com a sociedade civil”, afirma Frederico.

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que "nos últimos anos, reconheceu a atuação com a população em situação de rua como uma pauta intersetorial e prioritária, ampliando e qualificando a oferta em várias áreas, como habitação, saúde, educação, trabalho e emprego".

Ainda segundo o município, por dia, são oferecidos mais de 10 mil refeições nos restaurantes populares da capital. No caso das pessoas em situação de rua cadastradas no Cadastro Únido (CadÚnico) do governo federal, o serviço é gratuito. Atualmente, Belo Horizonte tem 4 unidades de restaurantes populares (Centro, Área Hospitalar, Barreiro e Venda Nova).

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