
Nas últimas semanas, dois casos distintos colocaram o parto humanizado em discussão no Brasil e acenderam um alerta acerca da importância de informações sobre o procedimento. Nessa segunda-feira (27), uma decisão divulgada pelo TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) revela que o Governo de Minas e cinco médicos foram condenados a pagar pensão mensal a uma família que teve os planos de realizar um parto humanizado frustrados.
Já no Piauí, uma lei que determina a realização de uma “assistência humanizada, antirracista e não transfóbica” gerou debate entre profissionais da saúde. A legislação estabelece medidas sobre o direito da gestante a ter uma doula antes, durante e depois do parto, além da “garantia do direito de se manifestar por meio do plano individual de parto durante o período de gestação”.
Na visão de entidades médicas, a lei interfere no papel e responsabilidade dos médicos durante o parto. Mas afinal, o que é, de fato, um parto humanizado? E qual a experiência de mulheres que já passaram por ele? Para responder a essas perguntas, a reportagem conversou com mulheres que conhecem de perto o assunto.
Para a doula e educadora perinatal Kéren Farias, as pessoas costumam ter uma visão equivocada sobre o parto humanizado. Ela atribui esse conceito ao procedimento que segue três premissas: o respeito à fisiologia do parto, evidências científicas sólidas e o protagonismo da mulher.
“A maioria das pessoas pensa que o parto humanizado é sinônimo de sofrimento, que a mulher não pode usar anestesia, um parto de cócoras, na água, e não é isso que significa. O parto humanizado é aquele que tem respeito, orientação, baseado em evidências científicas e sem intervenções desnecessárias”, explica ao BHAZ.
Segundo Kéren, o conceito de parto humanizado surgiu em 1980, década em que ocorreram vários casos de violência obstétrica e em que a cesárea era sempre indicada como a opção mais segura para as mulheres. A profissional explica que cesáreas também podem ser consideradas “humanizadas”, desde que realizadas de acordo com a vontade da gestante.
“Ele é aquele parto gentil, acolhedor, que busca o bem-estar da mãe e do bebê e que tem a mulher como protagonista e que as decisões dela são respeitadas. Nem sempre a mulher tem o domínio sobre o parto, mas ele não é aquele parto focado 100% no médico”, acrescenta.
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A profissional ressalta que informações qualificadas são as principais aliadas das gestantes no momento de planejar o parto. Ela recomenda que as mulheres busquem por uma equipe alinhada aos seus desejos, bem como façam um registros das suas vontades a partir do plano de parto.
“O documento é um planejamento em que a mulher escreve quais são as preferências dela pro parto. Em relação a ambiência do parto, se ela tem vontade de escutar alguma música, se tem algum aroma que ela gostaria de sentir”, esclarece Kéren.
Outra grande aliada nesse momento é a doula, profissional que presta assistência às mulheres durante a gestação e também no momento do parto. “Ela tá ali pra ajudar a mulher no conforto físico – como pra fazer massagens para aliviar a dor, por exemplo – e também para prestar apoio emocional para essa mulher”, explica.
A neuropsicopedagoga Vanessa Fumega deu a luz à pequena Maria Tereza em janeiro deste ano. Ela conta que sempre desejou um parto normal e humanizado, mas tinha muito medo da dor. “Deixava claro que no primeiro sinal, iria pedir analgesia”, conta.
Para ela, o plano de parto foi um “porto seguro” e a garantia que precisava para que suas vontades fossem seguidas. Da playlist com músicas preferidas até a luz do ambiente, Vanessa lembra que tudo saiu como ela planejou.
“Eu havia colocado que não queria analgesia logo de cara, que tentaria todos os métodos não farmacológicos antes. Então, a minha doula e meu marido me encorajaram muito a prosseguir de forma natural e com palavras de apoio, de encorajamento e força, me diziam o quão forte eu era e que minha menina estava chegando”, lembra.
Para Vanessa, além da equipe médica que lhe que toda a assistência, o apoio do marido no momento do parto foi fundamental para que ela ficasse tranquila. “O tempo inteiro ele estava atento ao que estava acontecendo e o tempo todo respeitando as minhas vontades e os meus desejos”, explica.
Maria Tereza nasceu no dia 26 de janeiro de forma natural, humanizada e sem intervenções (Arquivo pessoal)
Em Belo Horizonte, quatro hospitais públicos oferecem assistência humanizada às gestantes. Confira os endereços abaixo:
O hospital Sofia Feldman é a principal referência quando o assunto é parto humanizado em Belo Horizonte. Em 2001, foi inaugurada da unidade a Casa de Parto de Minas Gerais, local onde a mulher tem livre escolha para a posição no trabalho de parto, acesso ao parto na água e aos métodos não farmacológicos para alívio da dor.
O hospital Júlia Kubitschek, da rede Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais) também preza pelo nascimento humanizado. Com o auxílio de doulas voluntárias, a instituição realizou, na última década, cerca de 22 mil partos.
A Santa Casa de Belo Horizonte conta com o Centro de Parto Normal Irmã Dulce, inaugurado em setembro do ano passado. Com atendimento exclusivo ao SUS (Sistema Único de Saúde), ele conta com três suítes de parto – uma delas com banheira – além de métodos não farmacológicos para o alívio da dor da gestante, como bola de pilates para exercício, banqueta específica para parto, chuveiro, banheira e massagem.
Já a maternidade Odete Valadares, também da rede Fhemig, conta com atendimento especializado para cada gestante e oferece serviços como Terapia Intensiva Neonatal, assistência no parto, pré-parto, pós-parto, atendimento ginecológico e obstétrico de urgência, dentre outros.

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