
Diante da pressão do governo para aprovação da reforma da Previdência ainda neste ano, os mineiros intensificaram a corrida pela aposentadoria. De acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em Minas Gerais, no primeiro semestre de 2017 foram requeridos 91.519 benefícios por tempo de contribuição, aumento de 27,4% em relação aos 71.818 pedidos no mesmo período do ano passado.
Especialistas em Previdência, entretanto, alertam que cada caso deve ser analisado com calma e na ponta do lápis. “Eu vejo isso como uma precipitação. Hoje, você tem um fator previdenciário que, dependendo da idade, te provoca uma perda grande”, diz o presidente do Instituto de Estudos Previdenciários (Ieprev), Roberto de Carvalho Santos.
Ele cita como exemplo um homem que contribuiu por 35 anos e tem 50 anos de idade. “Se ele aposentar agora, perderá 40% do valor do seu benefício”, afirma.
Santos recomenda que o candidato ao benefício procure um profissional que o auxilie a fazer o cálculo corretamente. Hoje, muitos escritórios de Direito Previdenciário fazem o chamado planejamento previdenciário.
O advogado especialista no setor Braian Santos Costa explica que com documentos que registram a vida profissional do trabalhador, é possível calcular qual será o valor da aposentadoria pelas regras atuais e se vale a pena optar por requerer o benefício agora ou esperar mais um tempo, mesmo que a reforma com regras mais duras seja aprovada em 2017.
Risco
“Muitos fatores podem influenciar no cálculo correto, como, por exemplo, se a pessoa exerceu alguma atividade de risco, mesmo que por apenas um período curto”, fala Costa. A advogada Lilian Salgado, membro da Comissão de Direito Previdenciário da OAB-MG, vê a reforma, como está sendo proposta hoje, como um retrocesso em vários aspectos, mas esclarece que em muitos casos o trabalhador pode se tranquilizar.
“Existe o direito adquirido. Se amanhã mudar a lei e a pessoa já tiver os pré-requisitos para se aposentar, ela estará assegurada”, diz a advogada. Já quem tem mais de 50 anos entra na regra de transição e terá que pagar um pedágio.
Santos reforça que a aposentadoria é um benefício vitalício e que uma decisão tomada agora pode ter um impacto a longo prazo. “Com o fim da desaposentação, o valor definido vai ser o recebido até o fim da vida”, adverte.
Aposentado que fica na ativa pode juntar R$ 310 mil em 10 anos
Hoje, de acordo com a Previdência Social, o brasileiro que se aposenta por tempo de contribuição tem, em média, 55 anos. Para muitos desses cidadãos, continuar ativos no mercado de trabalho é uma alternativa.
“Depende muito do que a pessoa pretende na vida. Às vezes, ela tem uma atividade paralela ao emprego e pode aproveitar para ampliá-la ao se aposentar. Assim, o benefício será uma importante complementação de renda”, explica o professor de finanças Paulo Vieira. Para se ter ideia, um benefício de dois salários mínimos aplicado por 10 anos com rendimento de 0,5% ao mês resultará em um montante de quase R$ 310 mil ao final desse prazo.
Mas a formação dessa poupança requer disciplina. Sem falar na disposição para o trabalho. Para o presidente do Instituto de Estudos Previdenciários (Ieprev), Roberto de Carvalho Santos, é difícil se manter em atividade por muito mais tempo após a aposentadoria, principalmente em um mercado de trabalho como o brasileiro.
Santos ainda explica que a realidade da maioria dos aposentados brasileiros é dura. A maior parcela de aposentados é de beneficiários por idade, um contingente de 10 milhões de pessoas que recebe, em média, um salário mínimo.
Necessidade
Para especialistas, a necessidade de se discutir uma reforma na Previdência existe, embora eles discordem sobre a origem do problema. Para Santos, do Ieprev, a questão da seguridade social não está nos benefícios, mas no custeio. “Tem que analisar a falta de arrecadação, a sonegação e o desvio de dinheiro”, diz.
Já para o professor de Economia do Ibmec, Felipe Leroy, o principal ponto é o crescimento no número de aposentados. “A conta não fecha. O governo terá que tirar de outras fontes, vai engessar o orçamento e aumentar o déficit”, afirma.
Religião Diocese de Sete Lagoas celebra Dia Mundial da Vida Consagrada com missa no Carmelo
Conscientização Uso irregular de terrenos como depósito de lixo pode gerar multas em Prudente de Morais
Combate à fome Sete Lagoas integra lista de municípios prioritários em plano nacional contra a fome
Carnaval 2026 Pré-Carnaval e Carnaval em Minas ganham ação que troca recicláveis por pontos e Pix
Pagamento Prefeitura de Sete Lagoas divulga calendário de pagamento do adicional insalubridade para ACS e ACE
Vaquinha Nova vaquinha em Sete Lagoas busca arrecadar recursos para tratamento de comerciante Mín. 20° Máx. 27°


