
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar a origem de um ranking, que expõe intimidades sexuais e faz ofensas a mulheres maiores e menores de idade, moradoras de Muzambinho, no Sul de MG. O caso ganhou repercussão após o conteúdo viralizar por meio de compartilhamentos em grupos de mensagens instantâneas na cidade, que tem pouco mais de 20 mil habitantes. Além de citar nomes, o ranking também atribui adjetivos pejorativos às vítimas.
O delegado Sílvio Sérgio Domingues, da Polícia Civil, contou que diversas mulheres já procuraram tanto a delegacia quanto a Polícia Militar para registrar boletins de ocorrência por terem sido citadas no texto intitulado "TOP 100 Put...de Muzambinho". Além disso, ainda segundo o delegado, o compartilhamento de listas com diversos teores tem sido comum na cidade e um inquérito vai ser aberto para apurar o caso.
Os envolvidos podem responder por crimes como ameaça, calúnia, difamação, injúria e até falsa identidade, no caso de perfis falsos usados para compartilhar.

Considerado machistas nas discussões em redes sociais, o ranking compartilhado traz o nome de mais de 100 mulheres de várias idades, casadas e solteiras, atribuindo a elas o adjetivo de "put..". Em vários dos nomes, o autor atribui às mulheres posições sexuais e ofensas, como "só tem cara de santa", "a pior", "quem nunca", além de várias outras com palavras de baixo calão.
Alguns nomes também são acompanhados da referências pessoais (nome dos pais, local de trabalho, entre outros) para que não houvesse dúvidas de a quem o autor se referia.

A advogada Taysa Justimiano foi procurada por várias vítimas que pretendem denunciar o caso. Segundo a advogada, o primeiro passo será reunir as meninas que se sentiram lesadas e fazer todos os boletins de ocorrência.
“São muitas meninas, precisamos reunir todas as provas, como compartilhamentos, capturas de tela, tudo para localizar as pessoas que compartilharam, uma a uma, até a gente tentar encontrar quem foi que elaborou ou divulgou inicialmente esta lista”.
As vítimas informaram à advogada que já encontraram a publicação que teria começado o material que viralizou nas redes sociais. “Dias antes, algumas pessoas receberam mensagens informando que a lista seria divulgada em breve. Então, começaram a divulgar no WhatsApp, que foi a maior fonte de divulgação, e, depois, espalhou para o Facebook, onde se alastrou”.
Segundo a advogada, o passo seguinte será encaminhar o caso ao Judiciário. "Depois do boletim de ocorrência, a gente vai esperar a audiência preliminar, e, possivelmente, entramos com ação de indenização".
Por Fernanda Rodrigues e Régis Melo, Muzambinho, MG - G1

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