
Apreciadores de cerveja de Contagem e região metropolitana estavam tomando “gato por lebre”. A Polícia Civil prendeu sete integrantes de uma quadrilha que adulterava cervejas de baixo valor no mercado trocando o rótulo e a tampa por outras de duas marcas mais caras e de maior aceitação no mercado, segundo a polícia.
O líder da quadrilha arrendou a Fazenda Santa Rita, no bairro Liberdade, em Contagem, alegando para o dono do imóvel que iria produzir cerveja artesanal, para disfarçar a atividade ilícita dele.
Na verdade, ele adquiria a marca de cerveja que custa R$ 36 o engradado e substituía a tampa e o rótulo por outras duas marcas que custam entre R$ 110 e R$ 120, o engradado.
Segundo o delegado regional de Contagem, Christiano Xavier, a quadrilha agia há alguns meses e faturava cerca de R$ 400 mil por mês. “A tampa e o rótulo eram todos adulterados. Eles não falsificavam a cerveja. A cerveja realmente existia. O líquido da cerveja era Glacial, mas que era colocado o rótulo e a tampa da Antarctica ou Brahma” disse o delegado.
A polícia chegou ao bando depois de uma denúncia anônima e policiais ficaram de campanha nos arredores da fazenda e estranharam a grande movimentação de carretas, empilhadeiras e o grande volume de engradados de cerveja no interior do imóvel.
Segundo o delegado, nove homens trabalhavam no local, falsificando e adulterando as bebidas. Sete foram presos e dois conseguiram escapar por uma mata, um deles o líder da quadrilha, Hudson dos Santos Pereira, de 30 anos.
“Na verdade, eles pegavam engradado de cerveja Glacial, que tem um valor de mercado muito baixo, e adulteravam o rótulo e a tampa dessa cerveja por cerveja pelas outras marcas, o que valoriza bastante o produto. Eles faturavam uma média de R$ 80 reais por enquadrado de cerveja. Também estamos investigando se essa carga possa ser também produto oriundo de um roubo a carga ocorrido no final do ano passado”, disse o policial.
Todo o maquinário utilizado na adulteração das garrafas foi apreendido, assim como tecidos, roupas e semi joias, que também podem ser de cargas roubadas.
O delegado conta que a atividade da quadrilha era distribuída em três etapas. “Chegava o carregamento, geralmente dois carregamentos por semana, de acordo com a contabilidade do crime, uma média de mil engradados por semana, que eram adulterados e distribuídos na região de Contagem. Primeiro, eles lavavam essa cerveja Glacial, tirando o rótulo. Depois, iam para uma segunda etapa, onde substituíam a tampa das garrafas. Depois, iam para a terceira etapa, que era colocar o rótulo e o colarinho das outras cervejas. O pagamento dos funcionários era feito a partir da quantidade de engradados. Cada um ganhava R$ 1 para cada engradado que colocava a tampa e limpava a garrafa de cerveja. O que rotulava ganhava em média R$ 2 por enquadrado”, disse o delegado.

A Polícia Civil investiga quem adquiria os produtos da quadrilha e por quanto o produto adulterado era vendido. Se o preço oferecido for muito abaixo de mercado, o comerciante que adquiriu os produtos teriam como desconfiar da adulteração, segundo o delegado, e podem responder por crime de receptação culposa.
Ainda de acordo com o delegado, os funcionários dormiam na fazenda durante a semana, em situação bastante degradante. “Tinham apenas cama. Não tinha geladeira, não tinha cozinha. Viviam a pão e café durante todo o dia e trabalhavam exaustivas horas durante o dia para ganhar um valor irrisório”, informou o policial.
De acordo com o Christiano Xavier, todos os presos são cúmplices, fazem parte da mesma organização criminosa e tinham conhecimento das condutas ilícitas. Quase todos já têm passagens pela polícia, por tráfico de drogas, roubo e outros crimes. O chefe da quadrilha, Hudson dos Santos Pereira é sete-lagoano e já foi preso por crime contra a saúde pública.
O delegado da 5º Distrito de Contagem, Pedro Henrique Batista Viera, que comandou as investigações, disse que investiga a participação de outras pessoas na quadrilha. Os presos, segundo ele, vão responder por associação criminosa, com pena de um a três anos, e crime contra as relações de consumo, cuja pena é de dois a cinco anos.
“Temos que combater ferrenhamente esse tipo de conduta e fazer com que as penas aplicadas a esses indivíduos sejam efetivamente cumpridas. Senão, a soltura deles, por ser uma conduta extremamente lucrativa, faz com que eles reincidam”, disse Pedro Henrique.
Um dos confessou a participação na quadrilha, trocando os rótulos das garrafas, e conta que estava garantindo o seu ganha-pão. “Tenho nada para falar com vocês não. Tenho que falar para o juiz.
Eu estava correndo atrás do meu ganha-pão”, afirmou.
Outro disse que aceitou trabalhar no local alegando que precisava de dinheiro para pagar aluguel e sustentar os filhos. Disse que recebia R$ 1 para cada engradado de cerveja que substituía as tampas.
Outro dos suspeitos alega que trabalhou apenas uma semana na fazenda, e que não sabia que a atividade era criminosa. Disse, também, que estava desempregado e que precisava pagar aluguel e sustentar a família. Os demais presos também alegaram falta de dinheiro e desemprego.

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